quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Jim Collins: o cara sumiu ?

Primeiro, a notícia (do Valor Econômico):
No âmbito do plano do governo Obama de continuar dando suporte para o mercado de crédito, em especial para o segmento imobiliário, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou hoje que vai elevar de US$ 200 bilhões para US$ 400 bilhões o volume máximo de recursos que poderá alocar nas agências de refinanciamento de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac.
De acordo com comunicado publicado no site do órgão, o Tesouro vai disponibilizar até US$ 200 bilhões para cada uma duas das gigantes, que foram responsáveis, em conjunto, por garantir o financiamento de cerca de 75% dos pedidos de hipotecas americanas no ano passado.
Desde de julho do ano passado o dinheiro tem sido alocado conforme o necessário nas empresas, com o objetivo de manter o patrimônio líquido positivo, enquanto o governo pede para que as duas ampliem os empréstimos. " O aumento do funding vai permitir aumento da confiança prospectiva para o mercado de hipotecas e possibilitar que Fannie Mae e Freddie Mac continuem com o ambicioso esforço de garantir o pagamento de hipotecas de proprietários responsáveis " , diz o secretário Timothy Geithner.
Ele ressalta que o Tesouro vai continuar também a comprar, no mercado, títulos ligados a hipotecas garantidas pelas empresas, com o intuito de dar liquidez a esses papéis e, ao mesmo tempo, manter os juros baixos para que os mutuários refinanciem suas dívidas em melhores condições.
O Tesouro disse também que vai elevar em US$ 50 bilhões, para US$ 900 bilhões, o total de empréstimos que as duas empresas poderão manter como ativos nos seus balanços, assim como elevar a capacidade de endividamento no mesmo montante.
Ainda para evitar receio no mercado, o governo dos EUA diz que o aumento dos recursos para as empresas " não tem como objetivo indicar uma estimativa de possíveis perdas " dessas empresas, mas assegurar aos participantes do mercado que se reconhece o papel importante que a essas companhias tem no funcionamento do segmento de crédito imobiliário.
Agora, vamos relembrar - com a ajuda de um texto do Thomaz Wood (na íntegra AQUI):
Em 2001, foi publicado o livro Good to Great ("Empresas Feitas para Vencer"). Nele, Jim Collins identificou onze organizações que haviam conseguido passar de boas empresas para grandes empresas, espécimes excepcionais da fauna corporativa. Para o autor, estas onze grandes empresas exibiam traços comuns, relacionados a liderança, gestão de talentos, tomada de decisão, foco e visão. Para convencer as mentes mais exatas, Collins provou que todas elas haviam experimentado quinze anos de desempenho excepcional no mercado de ações.

Agora nos chegam dois estudos, publicados na revista Academy of Management Perspectives, que analisam os métodos e as conclusões de Collins. O primeiro estudo foi conduzido por Bruce G. Resnick e Timothy L. Smunt, da Wake Forest University. O segundo foi conduzido por Bruce Niendorf e Kristine Beck, da Universidade de Wisconsin. A conclusão é contundente, porém não surpreendente. O método usado por Collins não é sustentado por uma análise criteriosa do desempenho das empresas, ou seja, as "11 grandes" não são melhores que seus pares. Vale registrar que no seleto grupo estavam a cadeia Circuit City, concordatária desde novembro de 2008, e a Fannie Mae, uma das protagonistas da crise imobiliária atual.

Eu mesmo já tratara disso, AQUI.

Minha dúvida é bastante simples. Bom, tenho mais de uma:

O Jim Collins sumiu ? Não emitiu nenhum comentário sobre o fiasco da sua previsão ?

Será que ele mudou de idéia com relação ao nível de excelência da Fannie Mae ?


Será que ele vai assumir que errou ?
Vai assumir que sua pesquisa (e, por conseqüência, seu
best-seller) estava furada ?

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