Dando sequência à questão da campanha hipócrita que a APAS desencadeou para que os supermercados deixem de fornecer as sacolas plásticas aos consumidores a partir do próximo dia 25/01, quero tratar do PRINCIPAL problema desta campanha.
Este problema se chama HIPOCRISIA.
A campanha da APAS é HIPÓCRITA.
Entender o porque é bastante simples.
O site feito para defender a campanha tenta fazer com que o visitante do site tenha a impressão de que a APAS e os supermercados estão preocupados com o meio-ambiente e que, como consequência desta preocupação, bolaram a campanha. Bobagem.
Ao abolir o uso das sacolinhas plásticas, a APAS está transferindo TODO O CUSTO da mudança de hábito para o consumidor. Se a APAS e os supermercados que (eventualmente) aderirem a esta campanha tivessem uma preocupação LEGÍTIMA, VERDADEIRA, eles assumiriam pelo menos metade dos custos (ou pressionariam os fabricantes a usar menos plástico em seus produtos, como alimentos, detergentes, shampoos etc).
O fato é o seguinte: a APAS está usando esta campanha para reduzir um custo dos supermercados - aproveitando-se do discurso de "sustentabilidade", tão na moda atualmente.
Trocando em miúdos, a campanha consiste em fazer caridade com o dinheiro dos outros! Aí é fácil, né?!
É a mesma coisa que eu dizer para meus vizinhos que temos todos que usar o transporte coletivo para nos locomover em São Paulo - e, depois de "conscientizar" meus vizinhos, pegar meu carro, com ar-condicionado, para ir trabalhar, enquanto o custo de transação/mudança fica para eles, não para mim. Hipocrisia.
Por que a APAS e os supermercados não SUBSTITUEM as sacolas atuais pelas sacolas que eles irão vender a aproximadamente R$ 0,20? Se houvesse produção em larga escala destas sacolas, seu custo sofreria redução natural.
Mas, ao invés disso, a campanha prefere a hipocrisia como cortina de fumaça para reduzir um custo dos supermercados - que nos últimos anos têm sofrido pressões nas suas margens de lucro, inclusive em virtude do aumento na inflação.
A campanha joga todo o custo da mudança para o consumidor, que não terá redução nos preços dos itens adquiridos (o que deveria acontecer, haja vista que os supermercados deixarão de comprar as atuais sacolinhas), e ainda terá que adquirir sacolas para transportar suas compras - isso sem falar na utilização das sacolinhas para acomodar lixo e outras coisas em casa. Ou seja, mais um custo: comprar maior quantidade de sacos de lixo do que antes.
Qual o custo para os supermercados? NENHUM.
A campanha da APAS transfere os custos para o consumidor, usa o discursinho de "sustentabilidade", aumenta as margens e ainda espera que o otário do consumidor fique feliz, agradeça....
Um recadinho meu para a APAS: eu não sou otário!
2 comentários:
Só um detalhe. A inflação não preocupa os supermercados, que ganham no giro da mercadoria. Já a economia com as sacolinhas será de no mínimo R$ 20.000,00/mês por loja. Faça as contas da economia das grandes redes... Abraços professor.
Celso, de uma certa maneira, preocupa, sim.
Com o aumento da inflação, há uma percepção, por parte do consumidor, de que o poder de consumo cai (o que, matematicamente, é verdadeiro). Assim, a disposição para gastar mais ou seguir gastando com itens supérfluos é abalada - o que se traduz em menos compras no supermercado.
Obviamente os supermercados repassam os seus aumentos de custos, para preservar as margens, mas a inflação é um item que abala, psicologicamente, o consumidor, e pode afetar sua disposição em gastar mais....
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