Uma leitura deliciosa, sobre um tema interessantíssimo.
Inovação e atitude empreendedora
A PROSPERIDADE de uma sociedade é resultado da sua atitude empreendedora e da sua capacidade de inovação. Ambos os conceitos, portanto, estão intimamente ligados, e a competição no comércio internacional tem sido vencida pelos países que melhor unem essas duas habilidades. Quando se fala de inovação, muitas vezes essa idéia nos remete à descoberta de um determinado produto ou serviço.
Entretanto ela também pode ocorrer em processos industriais, de marketing, de logística, entre outros que, geralmente, rompem as barreiras do conservadorismo, reduzem custos e permitem um maior acesso da população a bens e serviços.
Apesar de os esforços nessa área terem sido intensificados no Brasil, ainda estamos muito aquém nessa corrida. Para ter uma idéia, o país investiu cerca de US$ 33 bilhões em P&D em 2006, enquanto a China bateu os US$ 140 bilhões, a Índia, US$ 58 bilhões, e os Estados Unidos, US$ 320 bilhões. Um indicador clássico -o número de patentes requeridas por país- demonstra que, naquele ano, a China requereu dez vezes mais patentes que o Brasil, segundo consultorias internacionais.
Uma das causas desse atraso é o distanciamento histórico entre os meios empresarial e acadêmico, que, felizmente, tem diminuído, com destaque para a atuação do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Mas, talvez, essa aproximação entre universidades e empresas não esteja se dando com a rapidez necessária que a realidade mundial exige. Vale lembrar que os países mais prósperos são aqueles em que a inovação se traduz em benefício para a vida real, ou seja, sai das universidades e é aplicada pelas empresas de diferentes segmentos da economia.
Para aproximar ainda mais as universidades do meio empresarial é preciso construir contratos inteligentes, de forma que ambos os lados ganhem com isso. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias) é um bom exemplo: o seu sucesso, além do quadro de bons pesquisadores, está na proximidade com o campo, isto é, com os potenciais usuários das tecnologias que desenvolve.
Sem dúvida, o Brasil ainda tem um longo caminho pela frente. Mas o importante é que a inovação e a inquietação da atitude empreendedora devem estar presentes em cada um de nós. Será que no Brasil a administração pública, as empresas e as universidades têm níveis adequados de inovação e empreendedorismo diante da realidade mundial? A resposta é não. O maior limitador do desenvolvimento, seja nas grandes empresas ou no Estado, tem sido a falta de espaço dado ao empreendedorismo e à inovação. Portanto, ser empreendedor no Brasil não é somente encontrar saídas inovadoras aos obstáculos que impedem o desenvolvimento, como a burocracia, a educação precária e o sistema tributário arcaico. Ser empreendedor pressupõe também verificar o nível de inovação aplicado nas empresas ou nas instituições e dar estímulos para a formação científica dos jovens. Afinal, o progresso do conhecimento e o crescimento econômico andam juntos.
JORGE GERDAU JOHANNPETER , 71, é presidente do conselho de administração do grupo Gerdau, presidente fundador do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e coordenador da Ação Empresarial.
Felizmente, não há apenas "monges e executivos" à disposição de leitores interessados em textos realmente bons....
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